quinta-feira, setembro 24, 2026

Festival Revoluções Curtas anuncia as 20 curtas-metragens em competição

A terceira edição do festival online da Filmin reúne novas vozes do cinema português, entre ficção, documentário, animação e experimental. As curtas-metragens estão disponíveis na plataforma de 24 de setembro a 24 de outubro.

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O Revoluções Curtas, festival online da Filmin dedicado à descoberta e promoção de novas vozes do cinema português, regressa para a sua terceira edição com uma nova seleção de curtas-metragens em competição.


Entre a ficção, o documentário, a animação e o cinema experimental, as 20 curtas-metragens da terceira edição do Revoluções Curtas partem de universos muito distintos para explorar temas como a identidade, a memória, o corpo, a família, a pertença, a fé e a relação com os lugares onde vivemos.


A infância e as relações entre gerações atravessam algumas das histórias mais íntimas desta seleção. Em O Amor Fez Uma Esfera, de Gabriel Andrade, Eduardo, um rapaz de oito anos obcecado pelo espaço, passa um fim de semana na casa do avô ausente. Também A Emancipação de Mimi, de Marcelo Pereira, parte do universo de uma criança para construir uma comédia sobre desejo, rebeldia e identidade. 

Em 24 Lagarteiros por Segundo, de Maria Durão, Diogo Costa e Miguel Candeias, são as crianças e jovens do Bairro do Lagarteiro, no Porto, que assumem o centro da narrativa. 


O corpo surge como território de descoberta, conflito e transformação em várias das obras selecionadas. Em O Tempo das Cerejas, de Clara Parente, Inês procura respostas para uma dor inexplicável e para a ausência de menstruação, deparando-se com um diagnóstico impossível que transforma a endometriose num universo fantástico e surreal. Já Espécies Férteis, de Francisca Neves, situa-se entre o drama e o experimentalismo. No silêncio do Alentejo, Maria entrega-se a uma experiência insólita que aproxima o seu próprio batimento cardíaco do dos cães. Em Peripécias no Espaço, de Caio Amado Soares, uma viagem espacial atribulada transforma-se numa metáfora para a transição e para as dúvidas associadas à identidade de género. E em Inheritance, de Mischa Andreski, Alice viaja de Londres para o Douro em busca da herança deixada pela mãe. 


A relação com os lugares e com as memórias que neles permanecem é outro dos fios condutores da seleção. Em Pássaro Azul, de Miguel Munhá, a tentativa de recuperar memórias transforma-se numa reflexão sobre a ansiedade e o trauma. Feitos de Betão, de canivete, constrói um retrato de Algueirão-Mem Martins a partir dos seus espaços, habitantes, histórias e memórias. Em Tempo Corpo Falha, de Rita Costa, a observação do quotidiano de uma família romani no Alentejo transforma-se num exercício sobre tempo, presença e olhar. 

Já Two Days and Two Nights, de Katarina Lanier, acompanha duas amigas que acampam junto ao mar durante dois dias e duas noites. Entre conversas, silêncios e cumplicidades, uma confissão sobre o passado traz à superfície segredos e mudanças numa amizade construída ao longo dos anos.

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A terceira edição do Revoluções Curtas inclui também várias obras que cruzam o quotidiano com o fantástico, a ficção científica e o cinema experimental. Not Yet, de Marta Bao, uma jovem engenheira desenvolve um serviço de cuidados personalizados que pretende melhorar a qualidade de vida através da tecnologia e da empatia; A Goiva, de Alexandre Amado, é um ensaio visual e sonoro de ficção científica que confronta a dimensão humana com a infinitude do tempo cósmico. Ultravioleta, de José Magro, cruza documentário e ficção científica numa história sobre abandono, memória e pertença. Em I Can See Jay There, de Miguel Domingues, animação e documentário encontram-se para retratar Jay Monte, antigo segurança de um bar em Amesterdão


A relação com a fé e com a memória histórica também marca algumas das propostas desta edição. Realizada em 16mm com película que restou de Grand Tour, de Miguel Gomes, Andar com Fé, de Duarte Coimbra, acompanha uma deambulação por Lisboa, pela memória e pelo luto. Em Êxtase, de Pedro Baptista, uma freira repete rituais numa tentativa de encontrar respostas para a dúvida que se instalou sobre o seu chamamento. 


Carnaval Canibal, de Inês Leal, regressa ao arquivo fotográfico da antiga Diamang, em Angola, para recontextualizar imagens produzidas durante as décadas de 1950 e 1960 no contexto do colonialismo português. 


A seleção inclui ainda propostas que exploram as possibilidades da própria linguagem cinematográfica. Estou a Sentir Qualquer Coisa, de Nuno Pimentel, parte do conceito de “imagem-tempo” de Gilles Deleuze para cruzar documental, ficção e experimentalismo. 


Coisas Sérias, de Laura Conceição, a câmara assume o ponto de vista de quatro garrafas de vinho durante uma festa entre amigos. A partir deste dispositivo, a curta acompanha uma noite em que o álcool, os conflitos e os acontecimentos inesperados se acumulam, dando às garrafas o papel de testemunhas silenciosas.


As 20 curtas-metragens estão em competição pelo Prémio do Júri, no valor de 1.000 euros, e pelo Prémio do Público, no valor de 750 euros.


De 24 de setembro a 24 de outubro, as 20 curtas-metragens da terceira edição do Revoluções Curtas podem ser vistas na Filmin.

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Filmin



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