24 julho a 3 agosto 2026 • Guimarães • entrada livre
Guimarães prepara-se para viver o maior encontro anual da sua comunidade
Há festas que se assistem. E há festas que se vivem. Em Guimarães, as Festas da Cidade e Gualterianas pertencem à segunda categoria. São, há gerações, o grande momento de reencontro dos vimaranenses com a sua cidade, com as suas tradições e com as pessoas que dela fazem parte. Todos os anos, milhares regressam a casa para celebrar em família, rever amigos, ocupar as ruas e voltar a sentir o pulsar de uma festa que ultrapassa largamente o seu programa.
Entre 24 de julho e 3 de agosto, Guimarães volta a viver esse tempo de encontro coletivo, através de um programa que cruza património, música, artes populares, religião, artesanato e participação comunitária, afirmando uma tradição que continua a reinventar-se sem perder a sua identidade.
As Gualterianas são também um dos maiores polos de atração da região. Durante onze dias, milhares de visitantes provenientes de concelhos vizinhos e de diferentes pontos do país juntam-se aos vimaranenses para participar numa celebração que transforma o centro urbano num palco de cultura, convívio e partilha.
120 anos da Casa da Marcha
A edição de 2026 ganha um significado particularmente simbólico com a celebração dos 120 anos da Casa da Marcha, uma instituição inseparável da história das Gualterianas e da preservação da sua mais emblemática manifestação popular.
Ao longo de mais de um século, a Casa da Marcha tem mantido viva uma tradição que mobiliza centenas de participantes e envolve sucessivas gerações de vimaranenses. A Marcha Gualteriana, que encerra as festividades, continua a ser um dos momentos de maior emoção coletiva da cidade e um dos símbolos mais reconhecidos da identidade cultural de Guimarães.
Celebrar este aniversário é, por isso, reconhecer o trabalho de todos aqueles que, geração após geração, têm garantido a continuidade de um património vivo que pertence à comunidade.
A Feira de Artesanato: tradição que continua a criar futuro
Integrada neste grande ciclo festivo, a XXVIII Feira de Artesanato de Guimarães volta a afirmar-se como um dos principais espaços nacionais de valorização dos ofícios tradicionais, sendo um ponto de encontro para o qual todos estão convidados, promovendo oportunidades de interação e descoberta, entre artesã(o)s, visitantes e entusiastas que partilham a admiração pelas técnicas ancestrais e pela criatividade artesanal.
Ao longo de onze dias, o Jardim da Alameda de São Dâmaso reúne artesã(o)s de reconhecida qualidade, promovendo o encontro entre técnicas ancestrais, criação contemporânea e inovação, num diálogo permanente entre memória e futuro. Esta edição conta 49 stands, com mais de três dezenas de ofícios e especialidades artesanais diferenciadas, pelas mãos de 29 artesãos e 8 pessoas com produtos alimentares artesanais, provenientes de diversas regiões do país.
A programação da feira reforça igualmente a dimensão participativa do evento através de um conjunto de oficinas dedicadas ao Bordado de Guimarães e à Olaria, convidando crianças, jovens e adultos a experimentar técnicas tradicionais e a descobrir o património através da prática. Mais do que mostrar o artesanato, a feira convida o público a fazer parte dele.
Música, cultura popular e património ocupam a cidade
O programa artístico das Gualterianas volta a reunir propostas para públicos muito diversos.
No Largo do Toural, sobem ao palco Bárbara Bandeira, Dillaz e GNR, a par dos espetáculos de Theo & The Dons e de Fragmentos, complementados por sessões de DJ.
As tradições populares continuam igualmente a marcar presença através dos desfiles de grupos de bombos, cantares ao desafio, encontro de tocadores de concertina, Feira de Gado e Concurso Pecuário, desfile de charretes antigas e pasteleiras e do Festival Internacional de Folclore, que este ano reúne grupos de Portugal, Chile e Panamá.
As celebrações religiosas mantêm um lugar central na identidade das festas, com as festividades em honra de São Gualter e a tradicional Majestosa Procissão de São Gualter, uma das expressões patrimoniais mais significativas do concelho.
O tradicional espetáculo de fogo-de-artifício voltará igualmente a iluminar a cidade, antecedendo os dois momentos que encerram simbolicamente as festividades: a Marcha Gualteriana e a Corrida de Cavalos, acontecimentos profundamente enraizados na memória coletiva dos vimaranenses.
Uma cidade que celebra a sua identidade
A programação integra ainda uma exposição organizada pela Muralha – Associação para Defesa do Património de Guimarães, patente nos Jardins do Centro Cultural Vila Flor, reforçando a ligação entre património, cultura e memória.
Ao reunir artesanato, música, património, tradição, participação comunitária e criação contemporânea, a XXVIII Feira de Artesanato e as Festas da Cidade e Gualterianas reafirmam-se como um dos mais importantes acontecimentos culturais do Norte de Portugal.
Mais do que um cartaz de eventos, representam uma forma de celebrar aquilo que distingue Guimarães: a capacidade de preservar a sua história enquanto continua a construí-la, ano após ano, com a participação de toda a comunidade.
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