CINETOSCÓPIO
AOS NOSSOS AMIGOS, DE ADRIÁN ORR, ESTREIA NOS CINEMAS A 25 DE JUNHO
Filmado ao longo de quatro anos, o novo filme de Adrián Orr acompanha a passagem à idade adulta de uma jovem da periferia operária de Madrid, num retrato íntimo sobre amizade, identidade e transformação
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Senti a necessidade de fazer um filme que mostrasse a transcendência da passagem do tempo e a forma como essa energia se vai transformando ao longo dos anos, mas também que recuperasse e contagiasse essa força desordenada que todos tivemos na adolescência.
Adrián Orr
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Depois da estreia mundial no festival Visions du Réel e da passagem pelos festivais Doclisboa e Porto/Post/Doc, AOS NOSSOS AMIGOS (A Nuestros Amigos), última longa-metragem do realizador Adrián Orr, estreia nas salas portuguesas a 25 de junho, com distribuição da Cinetoscópio.
AOS NOSSOS AMIGOS, coprodução luso-espanhola com produção executiva de João Salaviza, dá continuidade à abordagem híbrida entre documentário e ficção já presente em Niñato, primeira longa-metragem de Adrián Orr, transformando o crescimento da sua protagonista, Sara Toledo, num processo cinematográfico acompanhado em tempo real.
Filmado ao longo de quatro anos, AOS NOSSOS AMIGOS acompanha Sara Toledo, uma jovem da periferia operária de Madrid, durante a transição entre a adolescência e a entrada na idade adulta. Entre os amigos de sempre e o novo universo que descobre ao entrar na universidade para estudar teatro, Sara vê-se progressivamente dividida entre diferentes pertenças sociais, afectivas e identitárias.
À semelhança do dispositivo temporal explorado por Richard Linklater em Boyhood, Adrián Orr filma as personagens ao longo de vários anos, permitindo que o tempo transforme naturalmente os corpos, as relações e os espaços. O resultado é um filme de grande proximidade humana, onde as fronteiras entre experiência vivida e construção ficcional permanecem constantemente em tensão.
Mais do que um coming-of-age convencional, AOS NOSSOS AMIGOS constrói um retrato sobre amizade, classe social, desejo de pertença e transformação pessoal. Com uma mise-en-scène depurada e observacional, Adrián Orr recusa o dramatismo tradicional para filmar o crescimento como experiência concreta, marcada por ambiguidades, deslocamentos e mudanças subtis.
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SINOPSE
Sara e Pedro, jovens adultos de um subúrbio operário de Madrid, adoram armar confusão juntos. Mas, quando começa a estudar teatro, Sara faz amigos novos que a introduzem a outro mundo. Apanhada num turbilhão de amor e festas, fica dilacerada, dividida entre os amigos antigos e o mundo novo a que é exposta ao entrar na idade adulta. Rodado ao longo de quatro anos da vida de Sara, a partir da construção que ela faz da sua própria identidade, o filme constrói um paralelo cinematográfico, transformando a sua protagonista na sua personagem com as ferramentas da ficção.
Adrián Orr filma o crescimento como experiência real, não como convenção narrativa e a câmara torna-se cúmplice, não observadora distante, permitindo que o tempo molde os corpos, as relações e a identidade.
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FICHA TÉCNICA
Título português: Aos Nossos Amigos
Título original: A Nuestros Amigos
País: Espanha / Portugal
Idioma: Espanhol
Género: Docuficção
Ano: 2024
Duração: 90 min.
Imagem: Color, DCP - 1.85:1
Som: Dolby, 5.1
Produção: El Viaje Films, New Folder Studio, Karõ Filmes
Produtores executivos: Hugo Herrera, Marina Alberti, João Salaviza
Distribuição em Portugal: Cinetoscópio
FICHA ARTÍSTICA
Realizador: Adrián Orr
Argumento: Adrián Orr, Celso Giménez, Samuel M. Delgado
Direção de Fotografia: Adrián Orr
Montagem: Ana Pfaff
Som: Miguel Martins
Elenco: Sara Toledo, Pedro Izquierdo, Paula Mira
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ADRIÁN ORR
Nascido em Madrid. Licenciado em Comunicação Audiovisual pela UCM. Estudou na Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC), em Lisboa, onde se formou como diretor de fotografia.
Durante mais de dez anos colaborou como assistente de realização com alguns dos mais consagrados realizadores espanhóis: Alberto Rodríguez (After, Grupo 7, La isla mínima), Javier Fesser (Camino), Santi Amodeo (Cabeza de perro), Javier Rebollo (Lo que sé de Lola, La mujer sin piano), Montxo Armendáriz (No tengas miedo), Federico Veiroj (El apóstata), Lois Patiño (Lua Vermelha), Elena López Riera (El Agua).
Em 2017 estreou Niñato, a sua primeira longa-metragem, onde as fronteiras entre ficção e documentário continuam a esbater-se num diálogo próximo. A sua primeira obra foi exibida simultaneamente nos festivais Visions du Réel (Suíça) e BAFICI (Argentina), tendo conquistado prémios em ambos: Filme Mais Inovador da secção Regard Neuf e Melhor Filme. Na estreia em Espanha, venceu o prémio de Melhor Filme na secção Nuevas Olas do Festival de Cinema Europeu de Sevilha. Foi ainda nomeado para os Prémios Feroz e para os Prémios Fénix como Melhor Documentário.
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