No Cinema Fernando Lopes em Lisboa
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Ao longo de mais de cinco décadas, Werner Herzog construiu uma obra que resiste a classificações estanques, situando-se num território singular entre a ficção e o documentário. O seu cinema explora geografias extremas e estados-limite da experiência humana, onde a obsessão, o delírio visionário e a relação conflituosa com a natureza emergem como forças estruturantes.
A seleção apresentada no Cinema Fernando Lopes inclui Aguirre, a Cólera de Deus (1972), um dos mais intensos retratos da ambição e da desagregação do poder; Sinais de Vida (1968), primeiro longa-metragem do realizador, onde já se esboçam os temas do isolamento e da ruptura; O Enigma de Kaspar Hauser (1974), uma meditação singular sobre linguagem, identidade e socialização; Nosferatu, o Fantasma da Noite (1979), revisitação melancólica do mito vampírico; Lições da Escuridão (1992), reflexão visual sobre paisagens de devastação; e Além do Azul Selvagem (2005), ensaio cósmico que cruza ciência, ficção e especulação filosófica.
Cada filme terá apenas duas exibições, sublinhando o carácter exclusivo e irrepetível da mostra. Todas as cópias apresentam dupla legendagem em português e inglês (com exceção dos filmes falados em inglês, legendados apenas em português), garantindo a acessibilidade a públicos internacionais.
Destaque ainda para a sessão de Além do Azul Selvagem, a 21 de março, integrada nas Sessões À Pala de Walsh, com comentário e presença de Cláudia Marques Santos, jornalista, professora e programadora do Festival CineEco de Seia.
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